BEDAMLOA PEREIRA CUBALA
CHAMADOS PARA VIVER EM SANTIDADE
E NO AMOR FRATERNAL
(1Pedro 1.22-25)
Trabalho apresentado como requisito complementar para aprovação da matéria de Homilética II, lecionada pelo Professor Pr. Jailson Eduardo Ferreira.
SETECEB - SEMINÁRIO TEOLÓGICO CRISTÃO EVANGÉLICO DO BRASIL
Anápolis-Go/2012
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Titulo: Chamado do Cristão.
Tema: chamados para viver em santidade e no amor fraternal
Texto: 1Pedro 1.22-25
Introdução
Pedro mesmo escrevendo por um público em sofrimento e perseguição, eles (os cristãos) não devia ignorar as suas obrigações como filho de Deus, não deviam ser egoístas, pelo contrário praticar o amor fraternal “de modo ardente, calorosa, intenso, e de forma inflamada constantemente”.
Podemos fazer alguns perguntas nesta passgem: Para quê Deus nos chamou? É possível viver em Santidade? Como? É possível (ou melhor, eu posso) amar fraternalmente neste mundo de individualismo e egoísmo? Como demonstrar esse amor?
Entre várias perguntas que poderíamos fazer a esse assunto, limitaremos apenas nestes, o meu e o seu chamado não foi por acaso, Deus tem propósito para minha e para a sua vida, com esta passagem podemos descobrir qual é esse propósito.
Proposição: Em Cristo Jesus Deus nos chamou pelo novo nascimento, também nos conduz numa vida de santidade e por fim nos desafia/ordena a amar incondicionalmente os nossos irmãos na fé.
Palavra chave: Propósito,
Sentença interrogativa: Para que serve esse chamado?
Sentença de transição: Veremos três propósitos desse chamado divino:
Iº Propósito: ESSE CHAMADO É PARA A REGENERAÇÃO (NOVO NASCIMENTO) Versículos 23-25 (cf. Jo 3.; Tt 3. 5; 1Jo 3.1ss)
Como?
1. Pela semente incorruptível
A Bíblia nos traz muitos relatos sobre esse chamado regenerador de Deus mediante a Sua palavra imutável, o evangelista João fez questão de registrar a mais clara abordagem do novo nascimento na ocasião do encontro de Jesus com Nicodemos (Jo 3). No capitulo 1 de João versículo 12 e 13, ele afirma “12 Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, 13 os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus” (NVI).
Através desta passagem o direito de ser filho de Deus não é adquirido por nascimento físico ou biológico, referido como a semente corruptível, mas espiritual, incorruptível. Essa possibilidade de ser nascido de Deus é exclusivamente aos que crêem em Jesus.
Em João 3:5-7, Jesus afirmou a Nicodemos “Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo… Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito”, ainda Ele disse “É necessário que vocês nasçam de novo”.
Em 1Pd 1.23, fica evidente que o elemento regenerador não faz parte da natureza corruptível, nem é mortal (cf. 1:18; Rm 1:23); porém incorruptível, imortal, imperecível, que dura para eternidade (cf. Rm 1:23; 1Cor 9:25; 15:52; 1Pd 1:4; 3:4). Pedro nos assegura que esse nascimento duradouro, eterno, só é possível por meio da palavra de Deus que é viva e permanente.
2. Mediante a Palavra de Deus
a. Que é Viva (vs. 23)
A palavra viva é Jesus, em Jo 14:6, Jesus disse que Ele é a Vida e a vida está Nele (cf. Jo 1:4). João inicia o evangelho falando da palavra viva que habitou entre os homens, de acordo com o evangelho de João capítulo 1, não resta nenhuma dúvida que Jesus é a palavra viva. Jesus afirma que Ele é o “pão da vida” (Jo 6:27,35,48,51,58), e que vem para dar a vida em abundancia (Jo 10:10; 11:25).
Esta palavra viva (Jesus) transmite a vida aos que crêem Nele de modo que estes não morrerão eternamente (cf. 1Co 15. 54-57). Podemos regozijar no Senhor, porque nos promete a vida eterna junto com Cristo, no grande dia da glorificação e de muitas recompensas. Ainda Pedro fez questão de mostrar que a mesma palavra além de ser viva é também eterna.
b. Ela é Permanente (vs. 23-25)
Jesus é, não apenas a Palavra viva que dá vida, mas também é eterna e a vida que Ele dá aos seus será eterna. No versículo 24 de 1Pd 1 vimos que toda humanidade é “como a erva, que murcha e cai sua flor”; Pedro aqui fez referência ao Isaías 40:6-8, ou seja, a nossa passagem neste mundo é breve e temporária. Nesta comparação fica claro que no presente mundo nada, mais nada mesmo, que é material durará.
Tanto Isaias assim como Pedro nos deixaram claramente o que é eterno, a palavra de Deus, Jesus Cristo (cf. Is 40:8; 1Pd 1:25; Sl 119.89; Mt 5.18; 24.35). Quem crê nesta palavra viverá eternamente.
Entretanto, o chamado divino é para nos tornarmos semelhante ao nosso Pai mediante ao novo nascimento, uma nova natureza incorruptível que recebemos por meio da nossa união com Cristo (cf. 2Co 5:17). Esta é a graça de Deus que devemos aceitar com gratidão e júbilo. Agradecendo a Deus constantemente por grandiosa salvação que nos ofereceu em Jesus. Agora seguiremos a nossa caminhada cristã exclusivamente para Deus.
II Propósito: ESSE CHAMADO É PARA A PURIFICAÇÃO (OU SANTIFICAÇÃO) (1Pd 1.22)
1. Purificando-se (1.13-22; 2.1-3,9)
Purificando-se. De que?
O verbo hagnizo transmite a idéia de todo “sentido ritual e cultual” de “um processo de purificação” com um propósito de atingir “um estado de pureza necessária para a participação do culto ou para desfrutamento da bênção de Deus”. No NT essa purificação tem mais uma conotação moral.
A santidade é “atributo comunicável de Deus”. No grego “hagiasmo”, quer dizer “tornar santo, separar do mundo ou afastar-se do pecado”. Grudem define a santificação como “uma obra progressiva da parte de Deus que nos torna cada vez mais livres do pecado e semelhantes a Cristo em nossa vida presente”.
Deus exige de seu povo a separação com mal, exemplo do “tabernáculo consagrado para Deus”, todos os sacrifícios e os utensílios devem ser separados exclusivamente para Deus; A mesma idéia aparece no NT em relação aos cristãos, nós cristãos somos templos do Espírito Santo, por isso devemos nos afastar do pecado (Ex 26:33; 1Co 3:16,17), Deus ordenou a obedecê-Lo (Ex 19:4-6; 1Pd 2.9). O cristão é capacitado por Espírito Santo para resistir e afastar-se do pecado e observar as ordens do Senhor e obedecer aos seus decretos (1Jo 3:9; Rm 6:11,14,18).
Enquanto estamos nesta vida devemos buscar ardentemente ser parecido com o nosso Senhor Jesus, autor aos hebreus nos adverte que para prosseguir será preciso deixar todo o embaraço deste mundo (Hb 12:1) e olhar firmemente no Autor e consumador da nossa fé, Cristo (Hb 12:2, 14). Essa santificação ou purificação só é possível mediante a nossa obediência à Palavra de Deus.
2. Pela obediência ao evangelho
A santificação foi resultado da “obediência à verdade” que é a Palavra de Deus, ou seja, o evangelho revelado em Cristo. No grego é “na obediência da verdade”; entendendo que somente existe a purificação por meio da obediência da verdade, que é a palavra de Deus.
Por meio da palavra (evangelho) torna-se possível reconhecer o estado da pecaminosidade e ignorância em que vivia antes (1Pd 1.14), como também aceitando a oferta do sacrifício de Cristo na cruz para a salvação (1Pd 1.19,20); por meio de tudo isso a nossa vida é purificada em Cristo.
Aquele que nos chamou é Santo (cf. 1Pd 1.14,15), os cristãos são referidos como “filhos nascidos na família celestial” (1:17; cf. Mt 6:9; Rm 8:15); também fomos convocados a sermos semelhantes ao nosso Pai (“Sejam santos, porque eu sou santo” - 1:16).
Até aqui percebemos que o homem é responsável para desenvolver ou buscar a santidade. A Bíblia nos exorta a desejar ardentemente leite espiritual (1Pd 2:1,2), seguir a santificação (Hb 12:14), ter esperança no Senhor (1Jo 3:3), não associar aos incrédulos (2Co 6:14), fugir da impureza (1Co 6:18), purificar-se (2Co 7:1), ser diligente (2Pd 1:5), obedecer (1Ts 4:3-8 diz: “A vontade de Deus para vós é esta: a vossa santificação; por isso, afastai-vos da imoralidade sexual. Cada um de vós saiba manter o próprio corpo em santidade e honra, não na paixão dos desejos, à semelhança dos gentios que não conhecem a Deus. Nesse assunto ninguém iluda ou engane seu irmão, pois o Senhor é vingador de todas essas coisas, como já vos dissemos e testemunhamos. Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santificação. Portanto, quem rejeita isso não rejeita o homem, mas Deus, que vos dá o seu Espírito Santo”), então é para obedecer com sinceridade, fidelidade e honestidade (Rm 15:8; 2 Cor 7:14).
Aplicação: Mas como ser santo? A santidade é possível através das práticas divinas (exercícios espirituais), oração, leitura bíblica, devocional, confessar os pecados, aprender a perdoar e a pedir perdão a Deus ou aos irmãos; evitar, ou seja, não entrar nos sites ou paginas de relacionamentos que induz aos pensamentos e conduz às práticas impuras.
IIIº Propósito: ESSE CHAMADO É PARA VIVER NO AMOR FRATERNAL (1Pd 1.22b)
1. Que deve ser sincero/verdadeiro
Rm 12:9, 10 (cf. Jo 13.34,35; 1Ts 4.9,10; 1Jo 3:11-24; 4:7-21)
Neste momento Pedro chama a minha atenção para algo muito importante, ao afirmar que devemos nos amar fraternalmente como irmãos, então ele usa o adjetivo “ἀνυπόκριτον”, sincero (1Pd 1:22; Rm 12:9,10; 1Tm 1:5) para descrever que tipo de amor está se referindo, ou seja, a intensidade desse amor; ele é um amor “genuíno, verdadeiro, confiável, natural, direto e sincero” (BibleWorks). O mesmo amor deve ser sem hipocrisia, não fingido, nem falta de sinceridade.
Ilustração “Sem cera” falar sobre os oleiros que usam cera para concertar os defeitos nos seus vasos, e o vaso que não tiver cera é considerado perfeito...
Na verdade o amor fraternal deve proceder de um coração puro, sincero, isto é, com toda pureza do coração, inocente e da fé sincera (cf. 1Tm 1:5); Em outras palavras diria sem pretensão ou segundas intensões; Entre os filhos de Deus esse é o tipo de amor que deve ser evidente.
Jesus ordenou aos discipulos em Jo 13:34,35 “Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros”. O Amor sicero, ardente é o sinal que evidencia os seguidores de Cristo, seremos inconfundíveis se amarmos uns aos outros (cf. 1Jo 3:23; 4:7,8,11,12,19-21).
E além de ser um amor sincero/verdadeiro e sem hipocrisia, ele ainda deve ser:
2. De coração
“Amem sinceramente uns aos outros e de todo o coração” (v. 22 - NVI)
“De coração” quer dizer “com empenho total da pessoa” (Rm 6.17; 1Tm 1.5; 2Tm 2.22); entretanto no NT coração é uma referência ao “homem interior e real, ao homem espiritual, à alma”; o amor deve ser parte da essência do homem. Ele é a essência de Deus (1Jo 4.7 – Deus é amor)
A preposição grega “ek” (de, de dentro de, a partir de) reforça a idéia anterior, é um amor que deve sair no íntimo da alma da pessoa, é algo que só eu posso dar, pois está no meu interior e deve sair dali para meu irmão em Cristo. Você tem amado dessa forma? É um desafio para todos nós, liberar o amor (sem hipocrisia) dentro de nosso coração aos outros.
A ordem de Jesus em Jo 13:34, 35 é de amor recíproco, a mutualidade, “Amar uns aos outros”, é curioso a repetição desta frase no NT, eis alguns Exemplos:
“Amai-vos de coração uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12:10); “amemos uns aos outros... amemos uns aos outros, assim como ele nos ordenou” (1Jo 3:11, 23); “Amados, amemos uns aos outros, porque o amor é de Deus, e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Amados, se Deus nos amou assim, nós também devemos amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se amamos uns aos outros, Deus permanece em nós, e seu amor é em nós aperfeiçoado. Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (4:7, 11, 12, 19).
Nestas passagens não encontramos a idéia de relativismo, se quiser pode amar, mas “ordem para obedecer”, é um imperativo, obedeço ou não?
Aplicação: Você ama? Demonstre esse amor com as suas ações e atitudes. Como você responde a esse chamado de amar com o amor ágape? - vá esta semana faça algo para alguém que prova que a ama. Jesus amou, e deu a própria vida. Pr. Jailson amou e levantou oferta para ajudar a casa de recuperação em São Paulo. Você (eu) ama? Faça logo algo que prove seu amor...
A igreja de Cristo em todo tempo deve atentar para essa exortação de Pedro, pois esta carta é para os cristãos do século 21, para mim e para você. Numa sociedade secularizada, incrêdula, individualista, a igreja é chamada por Deus para viver em santidade, separando-se dos padrões pecaminosos do mundo, como diz o Apóstolo Paulo para não se conformar com este mundo (Rm 12:1), mas transformar a nossa forma de pensar (Rm 12:2).
Também, já com o coração e a mente transformada pelo poder do Espírito Santo, Pedro nos convoca a viver no amor fraternal, amando uns aos outros cordialmente, siceramente e intensamente. A intensidade do amor mútuo deve ser a mesma que Deus nos amou (Cf. 1Jo 3:16, 18; 4:7-21). Autor aos Hebreus escreve “Seja constante o amor fraternal” (Hb 13:1). Entendemos que o nosso “propósito real da vida nova vida em Cristo é o amor fraternal”.
Conclusão:
Paulo descreveu algumas características do verdadeiro amor (1Co 13:1-13), que são os atributos de Deus; assegurando que esse amor só Deus pode dar ao homem, através da nova natureza em Cristo (cf. 2Co 5:17). Entretanto, em Cristo Jesus Deus nos chamou pelo novo nascimento, também nos conduz numa vida de santidade e por fim nos desafia/ordena a amar incondicionalmente os nossos irmãos na fé
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Obs. Sermão baseado na norma de trabalho adotado pelo SETECEB.
Foi proferido e avaliado na sala de Aula do 4º ano e entregue por escrito ao professor, no dia 22 de junho de 2012.
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