A FORMAÇÃO DO CARÁTER DO OBREIRO À LUZ DA BÍBLIA
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(dezembro/2012. Trabalho de conclusão de curso para obtenção de grau de Bacharel em Teologia do Seminário Teológico Cristão Evangélico do Brasil (SETECEB), com especialização em Ministério Pastoral e Missões, sob orientação do Rev. Ubiracy Lucas Barbosa)
(dezembro/2012. Trabalho de conclusão de curso para obtenção de grau de Bacharel em Teologia do Seminário Teológico Cristão Evangélico do Brasil (SETECEB), com especialização em Ministério Pastoral e Missões, sob orientação do Rev. Ubiracy Lucas Barbosa)
Autor: BEDAMLOA PEREIRA CUBALA
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SUMÁRIO
DEDICATÓRIA iii
AGRADECIMENTOS iv
EPÍGRAFE v
RESUMO vi
INTRODUÇÃO 1
1. DEFINIÇÃO DOS TERMOS 4
1.1. Caráter 4
1.2. Pastor 5
1.3. Obreiro 6
1.4. Líder 7
2. A VOCAÇÃO DIVINA PARA O MINISTÉRIO PASTORAL 8
2.1. Vocação interna 11
2.2. Vocação externa 12
3. A FORMAÇÃO DO CARÁTER DO OBREIRO NA BÍBLIA 15
3.1. No Antigo Testamento 15
3.1.1. Moisés 15
3.1.2. Isaías 19
3.1.3. Jeremias 21
3.2. No Novo Testamento 23
3.2.1. Jesus, Excelente Líder 23
3.2.2. Os doze discípulos de Jesus 26
3.2.3. Paulo 31
3.2.4. Timóteo 34
4. CUIDADO EMOCIONAL E ESPIRITUAL DO OBREIRO COMO PARTE INTEGRAL NA FORMAÇÃO DO SEU CARÁTER 37
4.1. Cuidado emocional do obreiro 37
4.2. Cuidado espiritual do obreiro 39
5. UM MODELO DE CURRÍCULO QUE CONTEMPLA A FORMAÇÃO DO CARÁTER DO OBREIRO 44
5.1. O que é o currículo? 44
5.2. O que o currículo não é? 45
5.3. Planejamento curricular 47
CONSIDERAÇÕES FINAIS 52
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 54
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2. A VOCAÇÃO DIVINA PARA O MINISTÉRIO PASTORAL
“Mas, graças a Deus, que em Cristo sempre nos conduz em triunfo e por meio de nós manifesta em todo lugar o aroma do seu conhecimento” (2Co 2:14).
Na atualidade a função do pastor é debatida, alguns defendem que é uma profissão, enquanto que para outros o ministério pastoral é uma vocação divina. Neste trabalho monográfico não serão discutidos essas divergências de opiniões, porque não é considerado relevante no momento, devido ao tópico proposto. Ele limita apenas a indicar bibliografia para uma futura pesquisa.
Em seu livro “Ética ministerial: Um guia para a formação moral de líderes cristãos” James E. Carter (São Paulo: Vida Nova, 2010), discutiu essa temática no capítulo um intitulado “A vocação ministerial: carreira ou profissão?”. No referido capítulo ele traz algumas argumentações dos que estão a favor ou contra a definição da função pastoral como sendo uma profissão. O James Glasse e Glaylod Noyce defendem que o “pastor pertence à classe profissional” delineando algumas características pelas quais classificam pastor como tal. Também admitem que “a maioria das igrejas protestantes consideram seus pastores como profissionais” (Carter 2010, p. 44-48).
Por outro lado, se posicionam Peter Jarvis, Soren Kierkegaard, Jacques Ellul, Stanley Hauerwas e William Willimon, defendendo que ser pastor não é uma profissão. Kierkegaard (apud Carter 2010, p.43) afirma que “a vocação religiosa tem um ingrediente ‘não profissional’. A vocatio (vocação) do pastor não é deste mundo”. Ainda Ellul “contrastou a vocação com profissão, considerando haver ‘uma separação absoluta entre aquilo que a sociedade exige incessantemente de nós e a vontade de Deus. Não há como inserir o serviço a Deus em uma profissão” (Ellul apud Carter 2010, p.43).
Outra pessoa que discutiu esse assunto foi o John Piper no seu livro “Irmãos, nós não somos profissionais: Um apelo aos pastores para ter um ministério radical”, ao alertar os pastores sobre o assunto em questão ele considera o seguinte:
Nós, pastores, estamos sendo massacrados pela profissionalização do ministério pastoral. A mentalidade do profissional não é a mentalidade do profeta. Não é a mentalidade do escravo de Cristo. O profissionalismo não tem nada que ver com a essência e o cerne do ministério cristão. Quanto mais profissionais desejamos ser, mais morte espiritual deixaremos em nosso rastro. Pois não existe a versão profissional do “tornar-se como criança” (Mt 18.3); não existe compassividade profissional (Ef 4.32); não existem anseios profissionais por Deus (Sl 42.1), (Piper, 2009, p.15).
No entanto, não será possível aprofundar sobre essa discussão, mas será discutido neste capítulo apenas o tópico proposto o chamado divino para o ministério pastoral.
“Como alguém explica vislumbres de certezas espirituais? A vocação de Deus pode ser descrita? O que significa chamado?”
Erwin Lutzer (2000, p.14) define o chamado da seguinte forma: “o chamado de Deus é uma convicção interior, dada pelo Espírito Santo e confirmada pela Palavra de Deus e pelo corpo de Cristo”. Essa definição inclui três elementos fundamentais que serão abordados mais adiante nesse mesmo capítulo. Veja bem, Deus chama, porém precisa-se de confirmação externa tanto da Bíblia como da igreja; esse processo varia de pessoa para pessoa, o certo é que o Senhor continua a chamar homens e mulheres para cumprir seu plano divino.
Uma das crises que um candidato ao ministério cristão enfrenta é a de definir o chamado de Deus para sua vida. Porém, é assunto importantíssimo, por isso se pretende dedicar algum tempo analisando esta questão.
Partindo do pressuposto de que nem todos os cristãos são chamados para o ministério da pregação da palavra, ou seja, para ser pastor, mestre, etc. Mas como saber quem é vocacionado? Antes de uma pessoa assumir a posição de ministro precisa certificar-se desse chamamento divino, não se precipitar para a obra e venha a ser reprovado (cf. Jr 23:32). Aqui não se pretende discutir sobre o chamado universal de todos os santos (crentes), isto é, “sacerdócio universal dos crentes” (cf. 1Co 12.8-10, 28-30; Rm 12.6-8 e 1Pd 2). Entende-se que é uma doutrina importante, porém, se propõe apenas a estudar o chamado específico do pastor (1Tm 5.17; Ef 4; 1Tm 3).
Como pode alguém saber se é vocacionado ou não?
O grande pregador do século XIX, Charles Haddon Spurgeon em seu livro “o chamado para o ministério” fez essa pergunta e a respondeu. Ele fala das pessoas que perderam o rumo e tropeçaram num púlpito, referindo assim às pessoas que entraram no ministério pastoral, talvez por algum motivo, porém sem o chamamento divino. A pior coisa que pode acontecer na vida de uma pessoa é “errar na vocação”, o prejuízo será muito maior tanto para a vida da própria pessoa quanto para a igreja que irá dirigir. Triste realidade, porém evidente na atualidade. Cada candidato ao ministério deve certificar-se primeiro da sua salvação e depois fazer uma profunda sondagem quanto ao seu chamado específico para ministério.
O maior perigo ou um erro gravíssimo que pode ocorrer é quando os próprios membros da igreja estão chamando as pessoas para o ministério, o que só Deus deve fazer e os homens serviriam para confirmação, esse perigo/erro foi observado por Kenneth E. Hagin, quando comenta:
Como pastor, tenho observado pessoas jovens na igreja que estavam aptas a trabalhar para Deus. Algumas delas, eu creio, foram e outras não foram chamadas. Tenho visto outros membros na igreja arruinar algumas dessas pessoas jovens, ao chegarem a elas e dizerem: ‘Creio que vocês foram chamadas para pregar’, e assim por diante. Elas tentaram pregar, e fracassaram. Frequentemente acabam por deixar a igreja por causa disso. Não vá só porque alguém chamou você. Há um chamado divino para o ministério. Você deve determinar se ele está ou não em sua vida. Não tente ingressar no ministério sem o chamamento de Deus para assim o fazer (Hagin, p.8, 9).
Como você pode reconhecer um chamado de Deus?
Entendemos que são cruciais algumas evidências internas e externas. Biblicamente correta uma vocação precisa da confirmação, o próprio Senhor Jesus serve de exemplo. Em várias passagens o ministério de Jesus foi autenticado (confirmado), tais como: Deus confirmou o ministério de Jesus publicamente (Mt 3.16,17; Lc 9.28-36); João Batista (Jo 5.33,34; Jo 1.29-31).
O próprio Jesus confirmou o seu ministério (Jo 5.36 e segs.). Uma vez declarou “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30; Jo 14.7); o Espírito Santo (Jo 1.32-34), a presença do Espírito Santo deu a Jesus autoridade para falar (pregar) e realizar milagres (Mt 7.22,29; Mc 1.22,27; Lc 4.36); as Escrituras, os profetas predizerem sua vinda, ministério, morte e ressurreição, como por exemplo Isaías em particular, descreveu seu nascimento (Is 9.6); seu sofrimento (53.4-10); seu desempenho de servo (42.1-4); e até predisse que viria alguém (João Batista) antes dele para anunciar sua vinda (40.3); os discípulos (Jo 6.68), apóstolo João termina seu evangelho afirmando que ele “dá testemunho acerca de Jesus”, isto é, confirmação da vida e do ministério de Jesus (21.24) (Youssef 1987).
E quanto aos líderes de hoje? É necessária a confirmação? Lógico! E pode ser através de uma “vocação interior e exterior” como as formas de confirmação do chamado para o ministério, conforme descrito na definição do chamado citado anteriormente.
Franklin Ferreira (http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=238, outubro 2011), afirma que:
O chamado é uma obra interna de Deus, que chama os servos da Palavra. E embora seja interno, o chamado para o ministério inevitavelmente virá acompanhado por um testemunho externo. Ou seja, aqueles chamados para a pregação da Palavra demonstrarão dons e aptidões para o exercício do ministério. Eles são equipados pelo Espírito para pastorear, evangelizar, pregar e ensinar - e frutos visíveis serão evidenciados por conta desse chamado interno.
O vocacionado precisa evidenciar os frutos externos para confirmação do seu chamado através da demonstração de seus dons ministeriais, pastor, pregação, ensino, evangelista, apóstolo (cf. Ef 4.11). Porém é válido ressaltar a observação feita pelo Jedeias de Almeida Duarte (2011, p.96) quando afirma: “É importante registrar que não existe uniformidade entre os cristãos, inclusive reformados, quanto à vocação pastoral. A ausência do assunto nos símbolos de fé e a aparente divergência quanto aos aspectos internos e externos da vocação”. Embora existam essas divergências pretende-se considerar esses dois aspectos da vocação pastoral.
2.1. Vocação interna
Vocação interna é a grande convicção que emana no próprio espírito da pessoa. David Fisher (1999, p.84), após muitos anos de ministério em quase cinco congregações diferentes, escreve: “vocação interior, é a convicção inescapável de que fui separado por Deus para pastorear o seu povo, permanece”. É essa convicção que faz o ministro cristão permanecer firme mesmo em meio às lutas e crises ministeriais. Não existe nenhum ministério da palavra bem-sucedido sem essa firmeza no chamado divino.
Nos momentos das aflições, crises, lutas, o que segura o pastor a persistir é a certeza de que foi chamado por Deus para aquela obra. O Apóstolo Paulo tinha plena certeza de que foi Deus quem o chamou e defende veementemente a sua vocação como sendo divina e não humana. Paulo é um instrumento escolhido por Deus (At 9.15,16); ele foi constituído servo de Cristo e testemunha do evangelho do reino aos gentios (At 26.16, 17; 20.24; 2Tm 2.20,21; 1Co 11.1; Gl 2.20). Além de tudo, a vocação vem exclusivamente da iniciativa divina, ou seja, o próprio Deus é quem chama (At 1.23-26; 13.1-4; Gl 1.1); Para o MacArthur (1998, p.85):
O ministério pastoral é um chamado divino e inigualável, concedido a homens eleitos por Deus para serem ministros de Sua Palavra e servos de Sua igreja. Os homens chamados para este trabalho sentem-se indignos (1Tm 1.12-17) e desqualificados (2Co 3.4-6) para tarefa tão preciosa. Mas, aos separados para o ministério, aplica-se o clamor do apóstolo Paulo (cf. 2Co 4.7).
Pode se perceber na observação de MacArthur, a seriedade e a responsabilidade dada por Deus ao ministério da Palavra, enfim, o resultado final é a Glória de Deus (Rm 11.36). Ainda Spurgeon, em seu livro chamado para o ministério (p.9), diz que “é-lhe imperativo que não entre no ministério enquanto não fizer profunda sondagem e prova de si próprio quanto a este ponto. Ser pastor sem vocação é como ser membro professo e batizado sem conversão”.
A vocação divina sempre vem acompanhada por um árduo desejo de fazer a obra, tal desejo deve permanecer na vida do obreiro (Jr 20.9; Am 3.8; At 4.20; 5.29; 1Co 9.16; cf. At 9.1-16; 26.16-18). Com base nessas passagens se pode afirmar que haverá algo dentro do obreiro que o impelirá para a obra. Mesmo que a pessoa tenha uma convicção clara do seu chamado interior, é imprescindível receber confirmação externa.
2.2. Vocação externa
Cipriano “sentenciou bem, quando afirmou provir de divina autoridade que o sacerdote seja escolhido, presente o povo, sob os olhos de todos e seja comprovado digno e idôneo pelo testemunho e critério público” (Apud Calvino 1985, p.75); assim como foi o caso dos sacerdotes levitas (Lv 8.4-6; Nm 20.26, 27); a escolha de Matias (At 1.15; 21-26) e dos sete diáconos (At 6.2-7).
Calvino (1985, p.76) assegura que essa prática Bíblica de aprovação pública “é o legítimo chamado de um ministro”; mesmo assim, os ministros da Palavra não recebem a sua autoridade de homem, mas de Deus. Conforme Berkhof (1990, p.603) a escolha do povo “é apenas uma confirmação externa da vocação interna feita pelo Senhor”, também a autoridade do pastor não vem da igreja, mas sim do próprio Deus e o ministro é responsável perante o Senhor (Mt 16.19; At 20.28; 1Co 12.28; Ef 4.11,12; Hb 13.17).
A igreja como agente confirmador deve levantar algumas questões em relação ao candidato, tais como: “É maduro? Tem dons necessários? É firme na Palavra e na doutrina? Ou se desqualificou com transigências morais ou desvios doutrinários? Caráter não é o único elemento necessário, mas é ingrediente fundamental e indispensável” (Lutzer 2000, p.15). Gordon Blaikie reconheceu que o chamado divino é indispensável e ofereceu seis critérios para avaliá-lo: “certeza da salvação, desejo de servir, de viver uma vida que contribua para o serviço, capacidade intelectual, aptidão física e elementos sociais” (apud MacAthur 1998, p.127).
Wesley avaliava os candidatos ao ministério em forma de interrogatório, fazia várias perguntas que exigiam respostas do candidato e que devia evidenciar certeza da salvação, convicção do chamado e fruto do trabalho (exercício dos dons):
1) Será que você conhece a Deus como um Deus perdoador? Será que você tem amor de Deus habitando em si mesmo? Será que você deseja ver Deus e nada mais em sua vida? Será que você é santo em toda a sua conversação? 2) Será que você possui os dons para o trabalho e compreende claramente o que é o trabalho ministerial; será que sabe julgar (discernir) as coisas de Deus? Será que você tem concepção clara da salvação pela fé e claramente pode discernir como ensinar isso aos homens? 3) Será que você têm frutos (convertidos)? Há verdadeiramente alguém que foi convencido do pecado e convertido a Deus através de sua pregação? (Wesley apud Duarte 2011, p.107).
A reflexão dessas perguntas básicas sobre o ministério dá ao candidato a oportunidade de reavaliar a sua decisão e se posicionar melhor para não ser levado por um impulso momentâneo e venha a arrepender-se mais tarde. Embora o avaliador que pode ser tanto o seminário quanto o pastor da igreja local, deve admitir que existem algumas exceções em que o vocacionado não preencha todos esses requisitos, mas Deus chamou-o, isso se evidencia com o tempo da pessoa ser usada maravilhosamente e ser um ministro fiel da Palavra. Porém o caráter deve ser o centro de toda e qualquer avaliação.
Ainda é crucial refletir na seguinte frase: “Se Deus não o chamou para o ministério de tempo integral, não tente fazê-lo; você se sentiria como um peixe fora d'água. Saber que você é divinamente chamado encerra definitivamente a questão. Não haverá nenhuma confusão quanto ao assunto” (Hagin, p.11). O único motivo pelo qual um obreiro deve permanecer no ministério é o chamado divino e isso deve ser enfatizado constantemente nos institutos bíblicos, seminários, faculdades teológicas, até ficar claro na cabeça de todos os obreiros cristãos. Duarte afirma que Lutero foi o primeiro reformador a defender o conceito específico da vocação nas seguintes palavras:
A vocação não deve ser assumida levianamente, pois não é o suficiente que uma pessoa tenha conhecimento. Ela precisa estar certa de haver sido devidamente vocacionada. Aqueles que exercem o ministério sem a devida vocação almejam bom propósito, mas Deus não abençoa os seus labores. Eles podem ser bons pregadores, mas não edificam (Lutero Apud Duarte 2011, p.101)
Para o reformador Lutero não existe nenhuma possibilidade de uma pessoa seguir para o ministério da Palavra sem o reconhecimento interno e externo da sua vocação. Então Fica claro que a prerrogativa primordial para uma pessoa entrar no ministério pastoral é a vocação divina confirmada e os dons espirituais e ministeriais evidenciados. A mesma seriedade Calvino demonstra quando escreve:
Para que não se introduzissem temerariamente homens inquietos e turbulentos a ensinar ou a governar, o que de outra sorte haveria de acontecer, tomou-se precaução expressamente a que alguém não assuma para si ofício público na Igreja sem a devida vocação. Portanto, para que alguém seja considerado verdadeiro ministro da igreja, primeiro importa que tenha sido devidamente chamado [Hb 5.4]; então, que responda ao chamado, isto é, empreenda e desempenhe as funções a si conferidas (Calvino 1985, p. 72).
Também o Calvino admite existir as duas partes da vocação, a externa e o chamado secreto (interno). Oden também viu a necessidade da correspondência entre o chamado interno e externo, pois não existe ninguém que possa cumprir tão difícil papel de pastor corretamente se não for vocacionado e comissionado por Deus e pela igreja; também deve existir relação nítida entre o chamado interno e externo e ser estabelecido desde o princípio com muita clareza para a igreja como para o candidato (Oden apud MacAthur 1998).
Na verdade, a relação entre esses dois aspectos (interno e externo) do chamado é fundamental, acima de tudo, é o que sustenta o obreiro, isto é, o que o motiva a continuar firme no ministério, mesmo enfrentando as lutas, pressões, desânimo e dificuldade é a sua confiança em Deus. Ele deve estar seguro que ele (obreiro) está obedecendo ao chamado e a vontade divina para sua vida. A certeza de que ele é um homem limitado, mas comissionado por um Deus ilimitado para realizar uma obra ilimitada que somente o poder de Deus pode manter. Criswell comenta dessa confiança quando ressalta que se o obreiro tem convicção firme da sua vocação para o ministério da Palavra e se essa persuasão for inabalável, os outros fatores da vida estarão em ordem (Criswell apud MacAthur 1998).
O privilegio é muito grande de um homem poder participar da grande obra de Deus, Ele deu essa oportunidade a algumas pessoas, isto é, homens incapazes são capacitados a cooperar na obra que o Senhor realiza. Em primeiro lugar o vocacionado deve certificar-se da sua conversão ou a certeza da sua salvação, para não cair no perigo de testemunhar de Cristo que ele mesmo não conheça; em segundo lugar, é imprescindível que ele esteja plenamente consciente do seu chamado interno e a confirmação externa, a fim de desenvolver seu ministério pastoral com sucesso e firmeza no Senhor.
Após a conceituação e delimitação de alguns termos, e de uma discussão sobre a importância do chamado divino, entende-se que se faz necessário partir para uma discussão mais longa da formação do caráter das pessoas que foram devidamente vocacionadas e responderam positivamente ao chamado. Por isso, será analisada a formação do caráter do obreiro na Bíblia (tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, apontando alguns exemplos da formação do caráter dos obreiros cristãos e possíveis princípios que podem ser aplicados nos seminários na atualidade). Em seguida, apresentaremos duas áreas do cuidado do obreiro como partes integrais da formação do seu caráter e por fim discutiremos sobre o modelo de currículo que contempla a formação do caráter do obreiro à luz da Bíblia nos seminários.
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Obs: capítulo 2 da monografia, 2012. Caso esteja interessado (a) em ler a obra completa entre em contato comigo pelo e-mail: (familiacubala@gmail.com), será um grande prazer disponibilizá-la...
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